Mesa redonda: Empreendedorismo digital

Como ser empreendedor no meio digital? A Campus Party é considerada por muito um dos maiores polos na inovação digital, e não foi à tôa que a Blog Content escolheu o evento para lançar seu negócio ao público.

Assista ao debate completo no final deste post, cortesia do Omedicast.

O debate sobre Empreendedorismo Digital começou com a abertura do moderador Bob Wollheim, Sócio-Diretor da Brand Conversations: “se o trem do empreendedorismo passar por você, pule nele”.

A seguir, Viviane Vilella, Analista do Sebrae, alerta que é necessário procurar a inovação também fora do eixo Rio-SP, existe muito talento nas outras regiões do Brasil. Disse ainda que é necessário que o governo reveja a questão da carga tributária para empresas, a fim de incluir os empreendedores individuais: designers, programadores, desenvolvedores, produtores de games etc.

Maria Carolina, sócia da Kingo Labs, diz que o fator que mais dificulta a vida das empresas digitais é que o brasileiro não tem a cultura de comprar software online. “Meu objetivo é, sim, chegar ao consumidor final, mas para sobreviver precisamos vender nosso produto às agências e empresas.”

Alessandra Félix, da Editora Gênese, afirma que somos um público que faz uso das ferramentas digitais porque é apaixonado por elas, e quando se é empreendedor é muito difícil fugir de assuntos pelos quais temos paixão.

Diego Remus, do blog Startupi, diz que o brasileiro provou que as inovações tecnológicas não saem somente do Vale do Silício. “Ora, silício é areia, e de praia nós entendemos!”, brinca ele. Nos falta diversificar os modelos de negócio - vide o surgimento de 405 sites de compras coletivas desde março de 2010 -, mas a adoção de novas tecnologias pelos consumidores é bem rápida.

Sobre os sites de compras coletivas, Viviane provoca: “Isso é ter uma idéia de negócio ou uma oportunidade?”

Diego complementa, afirmando que “uma idéia sozinha não vale nada. Um bom sinônimo para empreendedor é “ser ‘imparável’”, empreender é fazer acontecer”.

Bob Wollheim provoca os debatedores: muitos investidores afirmam que querem investir no Brasil, mas faltam bons projetos. Isso é fato ou mito?

Alessandra diz que sim, sobram idéias mas falta profissionalismo na hora de apresentar um projeto, Maria Carolina concorda.

Bob questiona qual seria uma solução, ao que Maria Carolina responde que o empreendedor precisa ter uma idéia clara de onde quer chegar, e aí construir seu plano em volta disso. Não importa que o plano mude ao longo do caminho, o importante é ter objetivos bem definidos, conhecer bem sua concorrência e o mercado.

Daí segue-se uma discussão interessante: afinal, o empreendedor “nasce assim”, ou essa é uma habilidade que se aprende? Alessandra afirma que qualquer um pode aprender a ser empreendedor, mas algumas pessoas têm um talento nato. “O empreendedor nato é aquele que não consegue conter uma idéia, ele não sossega enquanto não a vê se concretizar”.

Bob Wollheim questiona Viviane sobre quando as pessoas devem procurar o Sebrae. Ela diz que são três os fatores: quando o negócio vai bem, quando o trabalho é muito mas não se vê o lucro, e quando o empresário trabalhou uma idéia mas quebrou. Diz ainda que o brasileiro é um povo muito inovador e criativo, chega ao ponto de uma cidade pequena como Parintins “dobrar” uma multinacional como a Coca-cola, obrigando-a a criar uma lata azul.

Wollheim encerra essa parte do debate com uma metáfora: “o empreendedor não é o cara que decide saltar de pára-quedas, mas se o equipamento não funciona bem ele pula assim mesmo. O empreendedor é o cara que faz o piloto do avião voltar quantas vezes forem necessárias até que o equipamento esteja em boas condições, e então pula. Ele não salta de um avião sem pára-quedas, mas não desiste de saltar porque, na primeira tentativa, o equipamento não funciona.

Abrindo para perguntas da platéia, veio a primeira questão: “Como aprender a ser empreendedor?”

Diego responde que “o caminho certo é que não há caminho certo”, mas isso não impede que se estude de tudo um pouco, principalmente sobre o mercado no qual se deseja trabalhar. Bob complementa que é preciso “uma inquietude de saber tudo”, fazer acontecer e não ter medo de errar.

Nova pergunta, para Viviane: “Como procurar o Sebrae, em que momento?”

Ela responde que o empresário deve entrar em contato com o Sebrae mais próximo e agendar um horário com um consultor de uma área específica (finanças, projeto etc.). Bob complementa que não se deve ir até o Sebrae na fase do “tenho uma idéia”, mas sugere que se converse primeiro com um amigo empreendedor, tire suas dúvidas maiores com quem já tem prática no assunto, e depois chegue no Sebrae com uma dúvida específica.

Viviane concorda, e alerta: “não entre nessa se quiser trabalhar pouco. Não existe empreender sem muito estudo, várias noites sem dormir, lágrimas e algumas gotas de sangue”.

Para terminar, o momento #ficadica dos convidados:

Diego: “Mesmo que tudo dê errado na sua caminhada, você aprende coisas valiosas para seguir seu caminho”; e indica a leitura “Business Model Generation”.

Maria Carolina: “Procure os erros dos outros, toda empresa deu errado em alguma coisa”; e indica a leitura “Delivering Happiness”.

Alessandra: “Pergunte-se se é isso mesmo que você quer, e se não for, tudo bem, mude”; sobre um livro, ela indica “procure seu tema no Google e leia tudo que encontrar”.

Viviane: “Pesquise, estude, faça”; e indica os livros “A escola dos deuses”, de Stefano Elia e “A cabala do dinheiro”, de Nilton Bonder.