Demi Getschko, Alexandre Matias, André Forastieri, Ana Brambilla e Gil Giardelli debatem: Como separar o joio do trigo nas redes sociais? Quando qualquer um pode publicar conteúdo como saber se esse conteúdo é crível? Como as relações sociais afetam a credibilidade da informação?
Leia aqui um pouco do que rolou no debate. Assista ao debate completo no final deste post, cortesia do Omedicast.
Ana - Apesar do caráter informal das mídias sociais, é necessário ter um cuidado com as informações veiculadas, controle editorial mesmo.
André - Mídia não é jornalismo, tem que haver uma diferenciação. Jornalismo tem a questão da verificação, há um purismo pela veracidade das informações. Mídia é qualquer coisa, uma camiseta pode ser mídia. Os desafios que a gente enfrenta nas redes sociais digitais são as mesmas das não-digitais. Quem já foi em reunião de condomínio sabe disso. E a confiabilidade das informações no digital é tão importante quanto no real.
Alexandre - Não existe separação entre online e offline, acho que tudo é parte de uma manifestação pessoal. E muito mais importante que o veículo é você levar sua própria credibilidade para o leitor, independente do meio.
Demi - As mídias não mudaram as relações das pessoas, as mesmas flamewars que se vê hoje já tinha na Brasnet. Há uma compressão de mundo com a internet, o mundo fica pequeno e sempre haverá a preocupação com a veracidade das informações veiculadas. A informação está banalizada.
Pergunta: Como é possível acontecer um caso como o do Bobagento no BBB, que começou como boato e foi parar na mídia?
Ana - É legal quando o jornalista que trabalha com mídias sociais é usuário, mas ele tem que ser usuário E jornalista, e saber que rola muita bobagem nessas redes. A fonte das informações mudou, mas a checagem tem que ser a mesma.
André - O jornalista tem que tirar a cara do computador e passar a mão no telefone pra checar esses fatos. Não importa que perca o furo da matéria, publica dois, três dias depois mas apura!
Alexandre - O mesmo acontecia antigamente, a gente recebia várias vezes a notícia de que alguma pessoa tinha morrido e não era verdade, tinha que verificar de qualquer forma.
Ana - Sim, é possível fazer jornalismo só pelas redes sociais, o problema é verificar de onde essa informação tá saindo. Quem falou? É só trending topic? O perfil é oficial? Como identificar um perfil oficial? Não adianta só analisar a timeline para saber ao certo, é necessário confirmar.
Gil pergunta: Wikileaks é jornalismo?
Ana - Eu acho que isso é uma questão da academia, de definir tudo. Então o que é jornalismo? Wikileaks é jornalismo? Youtube é jornalismo? Eu acho que o público não está muito preocupado com essa definição. Não acho que Wikileaks seja jornalismo, mas é uma base de dados, assim como o Twitter, é um ponto de partida. São ambientes que vão te oferecer uma série de informações
Alexandre - Eu acho que é um veículo, sim, não sei se é bom jornalismo ou mau jornalismo, mas é um veículo, sim.
Pergunta: Mas por que as pessoas confiam nas informações que surgem nessa rede?
André - É muito simples: as pessoas confiam porque um monte de outras pessoas em que elas confiam acreditam nesses fatos.
Gil - Mídias sociais é uma ciência exata. Existe o número de Dumbar, que diz que qualquer aplicativo, se atingir um mínimo X de usuários, terá um bom crescimento.
Demi - Foi o que aconteceu com o Gmail, eu não vi nenhuma propaganda anunciando a ferramenta, mas com o sistema de convidar amigos para usar o e-mail, você passava confiança para o sistema e assim ele cresceu.
Ana - Eu acho que o fator da marca ainda é importante. Eu não vou procurar uma banda Indie nova porque um Zé Mané qualquer disse que é boa, mas se foi o Matias, ele entende disso, eu vou acreditar. A “marca” Matias tem credibilidade.
André - Mas eu não vou confiar só porque o Matias disse que é bom. Se ele indica uma banda, eu vou lá olhar e julgar por mim mesmo. Mas, sim, se for uma indicação de um qualquer, eu provavelmente não vou olhar.
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